"Já leciono há mais de 30 anos!"

Olá. Estive a reler os meus posts antigos, e isso deu-me imensa vontade de escrever. Escrever alguma coisa de positivo seria bom para variar, e aqui vou eu, tentar dar luz a esta coisa.
A primeira coisa que me vem à cabeça é a escola, e fico chateado comigo mesmo. É uma das coisas - das demais - que eu quero tirar da cabeça, e ocorre-me sempre ao pensamento, mesmo que eu não queira. Pois bem, visto que é algo que já se entranhou nas mentes dos alunos ao ponto de já fazer parte de nós, decido então perder mais uns 5 minutos a falar dela. Partindo do ponto em que era suposto falar de algo positivo, deixem que vos diga que é o meu último ano escolar. A carga horária é reduzida, e ter aquelas horas extras para poder fumar um cigarro e beber um café, de manhã, fazem sempre uma pessoa ir bem disposta para as aulas, onde vai ouvir pessoas já com uma certa idade, que insistem em repetir que já lecionam há mais de 30 anos, e que não têm paciência para aturar adolescentes que pensam que são superiores, tanto a nível pessoal como a nível pedagógico. Se eu colocasse esta dúvida, já se tornaria ironia a mais, mas visto que o blog é meu, eu coloco: "O que raio andam cá a fazer, se não têm paciência para aturar adolescentes, com a mente cheia de expectativas relativas ao futuro, impostas mesmo por essas pessoas de certa idade, que lecionam há mais de 30 anos e que se julgam superiores, a nível pessoal e a nível pedagógico?". Acredito que três décadas monótonas, só a fazer o mesmo, cansa, mas se perderam 16 ou mais anos a instruírem-se para poderem ser aquilo que querem, não percebo porque reclamam. Não me levem a mal; não costumo ser daqueles que insulta os Senhores Doutores assim às boas. Para além disso, acho que 12 anos a conviver com o mesmo tipo de pessoa já cria algum hábito, já nos introduz aquela paciência extra que os adolescentes irritantes precisam, mas, para ser sincero, acho que o 12º ano é exatamente o pináculo destas sinestesias, e quem agarra estes jovens, que têm a força, a energia - infelizmente não têm o dinheiro - capazes de atirar 5 secretárias de seguida à cabeça daquele que leciona e que não têm paciência para adolescentes que se acham superiores a nível pessoal e a nível pedagógico? Ninguém. Felizmente (espero que sim), nada isto ainda aconteceu, e aquela imagem bonita professor-aluno ainda continua viva. Porém, e como já referi, é o meu último ano escolar, e visto que tenho aprendido que ignorar é a melhor arma, vou ser o melhor atirador em campo. Espero que a faculdade não me devore, porque aposto que não haja já pessoas com uma certa idade, com imensa experiência, sem paciência para adolescentes com as hormonas aos saltos. Como no primeiro ano de Universidade passamos automaticamente para a idade adulta, já vai haver paciência. Mas só para os adultos. A idade também não perdoa.

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