My Last Waltz




A noite estava gelada e o meu coração palpitava que nem o calor dos mais baixos infernos. Lá estavas tu, a miúda mais linda da noite, o teu vestido encandeava até os mais ricos do salão, qual ouro raro difícil de encontrar. Mas tu eras fácil de encontrar. Bastava avistar ao longe o sorriso mais aberto e mais doce da pista.
A cada passo da valsa que dançavas o chão termia e a minha voz também, e é incrível como é que ainda sobrevivi a cada onda de encanto que espalhavas pelo vazio dos dançarinos todos... A cada volta que davas com ele esboçavas um pequeno sorriso, quase imperceptível, com os teus lábios carnudos e pálidos, e eu retribuía com um muito desajeitado, mas acredita que esse pequeno acto fazia crescer as palavras das quais eu tive sempre medo de pronunciar ao pé de ti: "Danças comigo?", mas a distância de te poder alguma vez na vida te alcançar silenciava a minha consciência, e eu pelo menos fingia que trocava o olhar dos teus beijos imaginários para o meu copo de ponche. E que beijos esses eram... Molhados, apaixonados, sorridentes, mas imaginários.
Pára de olhar para mim... Eu não mereço. Não tenho o dinheiro dele, não tenho o fato dele, nem as correntes. Oh, mas acredita que tenho correntes. Só não as dele... Olha para mim outra vez... Mergulha-me nos arrepios desses canudos louros que esvoaçam na tua cabeça... Pára.
A cada passo que dava para ao pé de ti eram mais um meros passos para a minha sentença de morte amorosa, mas avançava. Obrigado por sorrires. E eu sorria também...
"Bella?", olhaste para num rompante, mas eu via que nos teus olhos já esperavas que fosse eu. Tu sorriste para variar, e vi que o teu queixo tremeu. "Danças a próxima valsa comigo?". E foi como se tudo parasse.

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