The Last Letter


28 de Dezembro, 1942, 20:51

   Se eu soubesse que passado este tempo todo, olharia para ti da mesma maneira que olho para quem o meu coração se abre, já te teria dito que tu és a rapariga mais bonita que eu alguma vez vi. Tudo em ti é sincero. Desde as palavras que saem da tua boca até ao teu olhar, ao teu andar e à tua aura. Se eu soubesse que passado este tempo todo, cada vez que vejo o teu nome ou a tua fotografia em algum lugar, o meu corpo se encheria de calafrios, já te teria dito que é contigo que quero passar o resto dos meus dias. Não interessa onde, mas contigo. Estejamos a milhares de quilómetros de distancia, estejamos mesmo a cinco metros da casa dos papás, o nosso cantinho será sempre o nosso. O nosso... Porque nada se iguala à tua companhia, à tua respiração, à tua ética de trabalho, e principalmente os teus beijos que ainda me deixam as pernas a tremer. Se eu soubesse que passado estes anos todos estaríamos entrelaçados a dar o último primeiro beijo à frente do padre, já te teria dado um encontrão de propósito, só para te ver embraçada e para poder apanhar os teus apontamentos da universidade contigo. Lembro-me de todas as bebidas que bebemos no bar da praia, de todas as vezes que dançámos na discoteca, de todos os hotéis, de todos os mergulhos, de todas a vezes que tivemos deitados, aconchegados na relva, das vezes que contávamos estrelas e narrávamos as nuvens. E se eu soubesse que ao fim deste tempo todo que se me abandonasses, o meu coração deixava de existir, lá no sítio onde está. Porque só tu sabes onde está. Quem o tem. Eu amo-te.

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